A Reforma Tributária brasileira já começou a sair do papel e promete mudar profundamente a forma como as empresas pagam impostos. Diante desse novo cenário, uma pergunta tem dominado conversas entre empresários e contadores: o Lucro Real será a melhor escolha a partir de agora?
A resposta curta é: depende. Mas a resposta completa pode revelar oportunidades estratégicas importantes — e é isso que você vai entender neste artigo.
Primeiro: o que vai mudar na prática?
Hoje, as empresas lidam com vários impostos diferentes. Com a reforma, a ideia é simplificar.
Na prática:
- Vários impostos serão substituídos por dois principais (CBS e IBS)
- O sistema vai permitir aproveitar créditos de impostos pagos nas compras
- Você passa a pagar imposto mais sobre o “valor que agregou”
👉 Traduzindo: o imposto deixa de acumular tanto ao longo da cadeia.
E o que é o Lucro Real, sem complicação?
O Lucro Real é simples de entender:
👉 Você paga imposto sobre o lucro que realmente teve.
Agora veja um exemplo na prática:
Imagine um restaurante:
- Faturamento: R$ 80 mil
- Custos altos com alimentos, equipe, energia: R$ 72 mil
- Lucro final: R$ 8 mil
👉 No Lucro Real, ele paga imposto sobre esses R$ 8 mil — não sobre uma margem “estimada”.
Por que o Lucro Real pode ganhar força com a reforma?
Agora vem o ponto principal. A reforma cria um sistema onde você pode descontar impostos pagos nas compras. E adivinha? O Lucro Real já funciona assim em parte.
Exemplo prático: empresa que compra muito
Uma indústria compra matéria-prima:
- Compra insumos por R$ 50 mil
- Vende o produto por R$ 100 mil
Com o novo sistema:
👉 Ela pode usar o imposto pago nos R$ 50 mil como crédito
Resultado: paga imposto só sobre a diferença.
📌 Empresas no Lucro Real tendem a aproveitar melhor isso.
Exemplo prático: prestador com muitos custos
Uma empresa de marketing:
- Fatura R$ 30 mil
- Gasta R$ 20 mil com equipe e ferramentas
👉 No Lucro Real, ela tributa só os R$ 10 mil de lucro.
Com a reforma, dependendo dos créditos, isso pode ficar ainda mais vantajoso.
Mas cuidado: nem todo mundo se beneficia
Agora vem a parte que muita gente ignora.
Exemplo: empresa com lucro alto
Um consultor:
- Fatura R$ 20 mil
- Tem poucos custos (R$ 2 mil)
- Lucro: R$ 18 mil
👉 No Lucro Real, ele paga imposto sobre R$ 18 mil.
Nesse caso, outros regimes podem ser mais baratos.
Exemplo: empresa desorganizada
Uma empresa que:
- Não controla bem despesas
- Mistura contas pessoais com empresariais
👉 No Lucro Real, isso vira um problema sério.
Pode pagar mais imposto ou até sofrer multas.
Afinal, quando o Lucro Real faz mais sentido?
Pode ser melhor se você:
- Tem muitos custos e despesas
- Trabalha com margem menor
- Compra bastante de fornecedores
- Quer um controle mais detalhado
Pode não ser ideal se você:
- Tem lucro alto e poucos gastos
- Quer simplicidade
- Não tem controle financeiro organizado
O que realmente muda com a reforma?
Antes, muitos escolhiam o regime só pela alíquota. Agora, a pergunta muda:
👉 “Quanto de crédito de imposto eu consigo aproveitar?”
E nisso, o Lucro Real pode sair na frente.
A Reforma Tributária não criou um “regime perfeito”.
Mas ela fez uma coisa importante: Obrigou as empresas a pensarem mais estrategicamente.
Empresas que antes descartavam o Lucro Real agora precisam reavaliar com atenção. O novo cenário exige: Simulações atualizadas, análise de margem e custos e planejamento tributário contínuo.
Se você quer pagar menos impostos legalmente após a reforma, não comece escolhendo o regime.
Comece respondendo: “Como minha empresa lucra, gasta e cresce?”
A partir daí, o melhor regime — seja Lucro Real ou outro — fica muito mais claro. E para isso, conte a Prisma Contabilidade.




